Acari pode atingir mais de 1 m de comprimento.
Para capturá-lo, pescadores precisam mergulhar no fundo do rio.
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| Exemplar do acari conservado por taxidermia. (Foto: Glebson Viana/G1) |
Uma espécie diferenciada de Acari tem sido capturada nos últimos meses
por pescadores através de mergulho no fundo das águas do Rio Tapajós em
Santarém, oeste do Pará. O Acanthycus histrix
se difere dos acaris comuns - peixes bastante consumidos na região -
não só pelo tamanho, pois pode ter mais de um metro de comprimento, mas
também por conter espinhos na parte externa do corpo.
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| Na Ufopa, o exemplar do peixe é conservado em formol para estudos. (Foto: Glebson Viana /G1) |
O biológo Cárlison Oliveira, de 28 anos, está finalizando um mestrado
na Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) em Recursos Aquáticos.
Ele explicou ao G1 que esta espécie não costuma ser
encontrada em feiras ou mercados, pois além de ser dificilmente
capturada por malhadeiras, por viver no fundo do rio, ela não têm valor
econômico.
Segundo ele, esse peixe, que teve sua primeira descrição em 1829, pode
ser encontrado em toda a bacia amazônica. "Para capturá-lo é preciso
mergulhar. Já os outros acaris comuns, além de terem valor econômico e
serem bastante procurados, são encontrados no mercado com facilidade,
até porque eles não vivem diretamente no fundo, então a captura é mais
fácil", explica.
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| Os espinhos do acari ficam maiores no período de reprodução da espécie. (Foto:Glebson Viana /G1) |
Um peixe similar ao encontrado no Rio Tapajós foi capturado no Peru, em agosto de 2010,
porém, apesar de serem da mesma famíllia, eles se alimentam de forma
diferente. De acordo com o biológo, o acari encontrado fora do Brasil se
alimenta exclusivamente de madeira em decomposição. "Os dentes desse
encontrado fora do Brasil passaram por uma evolução, eles desenvolveram
os dentes na forma de colher, o que favorece o tipo de alimentação",
explica.
Já o acari encontrado no Rio Tapajós, segundo o biólogo, se alimenta
principalmente de perifiton (algas que vivem aderidas às rochas). "Ele
tem a boca carnosa e faz sucção do alimento. Essa morfologia favorece a
alimentação dele. Os dentes são mais para fazer raspagens na madeira e
nas pedras, do que para arrancar pedaços", detalha.
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| Jhonson fez trabalho de conservação da estrutura do peixe de 80 cm. (Foto: Glebson Viana/G1) |
O técnico em agropecuária Johnson Pantoja tem um exemplar em casa (foto
ao lado), que foi capturado por pescadores da região no rio Tapajós, em
frente a cidade de Santarém, no início de 2013. Pantoja é artesão e
trabalha com taxidermia (técnica de preservação da forma da pele, plano e
tamanho dos animais), e conserva um acari de 80 centímetros. Segundo
ele, alguns pesquisadores do Brasil o procuraram para entender melhor a
estrutura do peixe. "É uma espécie curiosa, diferente do que a gente
costuma ver, chama atenção de pessoas que pesquisam essa área até pela
estrutura física dele. Já vendi outro como esse [foto], no ano passado",
conta Pantoja.
O peixe chama a atenção pelo tamanho e pelos espinhos existentes no
corpo, que funcionam como uma forma de defesa. Segundo o biólogo esses
espinhos ficam maiores no período de reprodução da espécie. "Se trata de
um dimorfismo sexual e são mais evidentes em machos no período
reprodutivo", concui.
O acari é um peixe de água doce, comum na região da Amazônia e muito
consumido pela população local. Em outros estados, é conhecido como
'cascudo', por conter placas ósseas na parte externa do corpo. Costuma
medir entre 30cm e 40cm e tem cabeça larga. Ele se alimenta de lodo,
vegetais e restos orgânicos.
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| Acari comum é cascudo. (Foto: Reprodução/TV Tapajós)Acari comum |
No oeste do Pará, cidades como Alenquer e Santarém-Miri realizam
festivais, em parceria com colônias de pescadores, que dão destaque ao
peixe, colocando-o como alimento principal dos eventos.




