Funcionária do Parque da Cidade foi chamada de negra.
Caso ocorreu na noite de quarta-feira (11), durante o Salão do Livro.
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| Anaíse de Jesus foi vítima de injúria racial na quarta-feira (11) (Foto: Karla Lima/G1) |
Ela conta com detalhes como o fato aconteceu: “Eu falei: ‘porque a senhora não compra um protetor para criança, já que a senhora viaja?’ Então ela disse pra mim: ‘Você tem que limpar, por que você é negra, você é uma preta e tem mais é que limpar’. Cada vez ela gritava mais. Tornei tratá-la bem e perguntei se ela sabia o que estava fazendo. A parte que mais doeu foi quando ela disse: ‘Tu queres que eu te chame de branca, tu é negra!”, recordou a merendeira.
Após o fato, a vítima procurou a coordenação do Salão do Livro para relatar o ocorrido, uma vez que a suspeita era uma das expositoras. Testemunhas que ouviram os gritos no momento da agressão acompanharam Anaíse para confirmar o fato. A vítima chegou a passar mal, pois sofre de hipertensão. Além disso, a suspeita ainda fez ameaças aos colegas de trabalho da merendeira. “Ela disse às pessoas que não contassem nada, se não iria processa-las porque era advogada”.
O caso foi registrado na delegacia de Polícia Civil, no mesmo dia. Anaíse está com o psicológico abalado, não consegue dormir, e afirmou que nunca vai esquecer as palavras ditas pela mulher. “Peço e digo para as pessoas, não faça isso pra ninguém, porque dói. Nunca esperei na minha vida ser tão maltratada como fui por essa senhora”, declarou emocionada.
O delegado de Polícia Civil da 16º Seccional, Ednaldo Sousa informou que a conduta da suspeita é tipificada como injúria racial. O inquérito policial foi aberto para apuração dos fatos e deve ser concluído em 30 dias. As testemunhas serão ouvidas. “Posteriormente nós iremos encaminhar o procedimento ao judiciário para que a providência em relação ao processo criminal seja feita em relação a suspeita”.
De acordo com delegado, a suspeita que é de Belém não retornou ao estande no Salão do Livro após a situação. Por isso ele acredita que ela tenha retornado a capital do estado. Assim que for localizada deve prestar depoimento em Belém.
Injúria Racial e Racismo
A advogada Leila Paduano explica que existe o racismo e a injúria racial. A injúria é caracterizada quando alguém é ofendido ou discriminado por causa da raça, religião, etnia, ou nacionalidade. “O racismo é quando há uma coletividade sem identificar uma pessoa, por exemplo, lugares que não empregam judeus, lugares onde negros não são bem-vindos. Chamar uma pessoa de preta fedorenta, ou nordestino, mas de forma discriminatória, isso caracteriza injúria racial”. (Confira o vídeo acima).
Injúria racial está previsto no Código Penal Brasileiro, artigo 140, considerado crime, assim como o racismo.
Movimento Negro em Santarém
A militante do Movimento Negro, em Santarém, Alessandra Caripuna sabe como são os atos de preconceitos. “É um olhar, um xingamento, é achar que somos inferiores as outras pessoas. Isso é histórico, mas em pleno século 21, ainda existem pessoas criminosas. As pessoas que fazem racismo estão cometendo um crime contra a pessoa, contra uma raça”.
Também militante do movimento, a professora de educação infantil, Beatriz Oliveira defende que educação é a base para quebrar esse paradigma do preconceito. Novembro é o mês da Consciência Negra.
FONTE: G1
