Eles se tocaram de um jeito incomum. Aqueles ultimos tempos tinham sido muito difíceis para ambos. Ela querendo passar num concurso público e ele com sérios problemas com o chefe. Mas naquele dia cansado eles se olharam com uma ternura especial. Isso provocou um desejo sexual gostoso e suave. Ao penetrá-la ele a olhava firmemente nos olhos, diferente daquele sexo casual ou mecânico para cumprir tabela. Eles se comunicavam de um jeito especial, pelo movimento dos corpos. Sentiam uma energia diferente fluir. Quando chegaram no ápice do prazer algo estrondoso aconteceu. Um orgasmo que parece que vinha do corpo inteiro, um tremor de abalar cada músculo, cada parte do corpo e da alma. Um gozo que vinha do coração. No abraço final eles sentiram que estavam em casa novamente e uma lágrima de alívio, prazer e acolhimento amoroso veio aos olhos de ambos.
Noto que existe um dado momento que existe uma quebra
fundamental no psiquismo. Aquela hora em que uma pessoa consegue
desconectar o seu corpo de seus sentimentos, ou como preferem, o sexo do
amor.
Acho essa quebra curiosa, é como se você desse um grito
sem estar com raiva, ou um pulo sobressaltado sem estar com susto, ou
tremer a mandibula sem estar apavorado.
Imagino que transar sem amor provoca essa sensação. Parece que o corpo encontra refúgio, mas a alma permanece um pouco sozinha.
Não estou levantando nenhum julgamento quanto a isso,
não sou daqueles puristas que acham que sexo só deve ser feito com amor.
Sexo é uma expressão de diversidade de emoções.
O amor no sexo confere uma qualidade especial que o sexo sem amor não dá. Apenas isso.
Muitas vezes o sexo é vivenciado desconectado de sentimentos reais. Normalmente as pessoas transam ou se masturbam por tédio.
Uma vida que não vem se realizando plenamente pode
começar a se preencher de sensações que trazem emoções curtas como ver
TV, jogar videogame, comer um junkfood ou fazer sexo.
Não temos oferecido qualidade à nossa vida, oferecemos
prazeres rápidos e sem consistência orgânica. Não nos afeta de verdade,
não mobiliza nenhuma energia profunda, apenas nos entretem.
O sexo casual tem seu papel na vida das pessoas, no
entanto, ele pode virar junkfood, só isso. Não espere que esse sexo sem
amor preencha de fato
Não há problema em si em comer comida rápida e barata,
mas viciar nisso pode ser altamente prejudicial, e quando for perceber
está com uma dieta emocional pobre de sentido e acostumado a engolir
toxina mental.
Porque sexo casual não é só a hora da transa, tem o
antes, o durante e o depois. Você se acostuma a dizer coisas que não
sente, fazer outras que não gostaria e ficar com uma sensação de farsa
dentro de você. Se isso é ocasional ok, mas se vira um hábito chega uma
hora que já não sabe o que você realmente sente de verdade. Perde o
paladar para as coisas boas.
Ouço muito das mulheres que só conhecem homens canalhas e
que só querem sexo, mas acredito que muitas delas já não sabem
identificar sexo de qualidade. Elas se habituaram a comer sexo fácil e
ficam incrédulas de amor de verdade. Os homens também, se queixam de uma
certa futilidade da mulherada e se divertem por algum tempo, mas depois
eles próprios sentem um vazio no peito. Essa angústia aumenta e cria
tédio, mas tudo se resolve com uma transa rápida. Parece o bebado que
cura um porre com bebedeira. É um buraco cavando outro.
Exploramos pouco e pobremente a arte de fazer amor no
sexo. Simplesmente porque dá trabalho. Amar dá trabalho. Sexo com amor
também.
Enquanto isso vamos nos contentando com gozos
apressados, sem olho no olho, com certa frieza e vontade de que a pessoa
vá embora logo depois que gozou.
Sexo especial mesmo é aquele que tem vontade de morar no corpo da outra pessoa e permanecer ali para sempre.
